sábado, 16 de maio de 2015

CINEMA

"O vão que se abre entre nós e a realidade, é causado pela tensão oriunda de estímulos externos de toda sorte, e pela nossa dificuldade de aprender sobre nós mesmos. Nada mais do que a falta de compreensão sobre o que existe entre nós e a nossa própria realidade. Um abismo de promessas e sonhos que não se pode transpor, simplesmente porque na verdade, a única forma de atravessá-lo é se jogar de cabeça lá dentro, na imensidão de nós mesmos. Em queda livre, procurar o entendimento do que não se vê ou não se quer ver, será melhor do que esperar alguém construir uma ponte para atravessar este abismo. Corremos o risco de ficarmos parados, eternamente aguardando pela ajuda de alguma mão misteriosa que nunca irá aparecer, se não tomarmos a iniciativa de aprender qual é a real sensação de se jogar sozinho nessa imensidão. Somos criados para enxergar os abismos e paisagens da natureza, sendo que somente saberemos interpretá-los, se primeiro procurarmos enxergar a nossa turva realidade, o próprio abismo. 

Se jogar sem medo, nesse profundo vazio, que de acordo com a própria estória da vida, nunca chega ao fim. É impossível chegar ao fundo. Ao nos lançarmos para dentro desse "abismo", descobriremos que o que seria o "fundo de nós mesmos", é a tão esperada ponte para chegar ao outro lado, a mola propulsora de nossa evolução interna, consciente e realista e humanista, para então voltarmos a realidade que vemos, e daí então, ao observar a novamente as paisagens externas, reconhecemos que poderemos sonhar e desejar tudo, criando assim, nosso próprio mundo. Somos maiores em nossa própria imensidão do que a imensidão da própria realidade que nos circunda. Enquanto não soltarmos as amarras, e nos jogarmos no profundo posso, saindo do pântano lodoso de nossa costumeira superficialidade, nunca chegaremos à imensidão, e ao verdadeiro conceito da realidade. Sonhar, desejar, imaginar, e seguir, rumo ao infinito de nossa própria ficcão, para criar enfim, nossa verdadeira realidade."

(D.Seabra)

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