sábado, 16 de maio de 2015

NEVERMIND

E então ele a viu novamente, sentada naquele canto do bar ouvindo rock sem se cansar. Ela sabia os nomes de todas as bandas, músicas, cantores, músicos, discos, tudo que ele sempre achou mais legal….uma mulher rockeira!!!

Pensou em chegar perto para conversar, mas não dava. Todo mundo chegava nela. Ela só espantava. Teve um dia que ela deu um beijinho rápido no cara só pra tirar ele de cena. "Não gostei do seus lábios não, sua boca parecia até gostosinha mas ao enconstar me deu uma onda ruim, amigo." Ela falou desse jeito pro cara, discretamente. 



Eu soube porque li os lábios dela.




Nunca perguntei nem o nome dela....

(D.Seabra)


PEQUENA DULCINÉIA



"No mesmo mundo onde se criam estórias e contos maravilhosos sobre realidades originadas dos sonhos e da ficção, acabamos nos deparando com nossa realidade, e assim vamos questionando nossa missão em nossa vida. Nosso planeta pode ser do tamanho que quisermos, nosso título, pode sim, ser de um pequeno príncipe, que sonhou em ter seu próprio planeta. Seu próprio pé de Baobá. Um sonho de ser pequeno, mas enorme em relação ao seu mundo. Ou então, sonhar com estórias de monstros e princesas, sendo seguido pela sua própria imagem indesejada, para se ver de verdade, mas voltar a acreditar na armadura, no cavalo branco, na nossa imponência, em busca de nossos príncipes e princesas em apuros. 


Nem oitenta e dois volumes, conseguiram explicar a imensidão do nosso ser, do que é ser. Mas só há uma certeza, somos o que imaginamos, e vamos em frente, por sobre o chão que sonhamos, monstros de nós mesmos, árvores e frutos, de nós mesmos. Tudo é nosso. Somos príncipes e escudeiros. Lutamos contra nós mesmos, ora nos chamando de dragões, ou de servos, ou de simples pragas que comem nosso alimento. Um dia descobriremos onde é que está a tão desejada realidade, a nossa princesa, ou nosso príncipe, quem é nosso escudeiro, ou nosso jardineiro. "

(d.sEABRA)

CINEMA

"O vão que se abre entre nós e a realidade, é causado pela tensão oriunda de estímulos externos de toda sorte, e pela nossa dificuldade de aprender sobre nós mesmos. Nada mais do que a falta de compreensão sobre o que existe entre nós e a nossa própria realidade. Um abismo de promessas e sonhos que não se pode transpor, simplesmente porque na verdade, a única forma de atravessá-lo é se jogar de cabeça lá dentro, na imensidão de nós mesmos. Em queda livre, procurar o entendimento do que não se vê ou não se quer ver, será melhor do que esperar alguém construir uma ponte para atravessar este abismo. Corremos o risco de ficarmos parados, eternamente aguardando pela ajuda de alguma mão misteriosa que nunca irá aparecer, se não tomarmos a iniciativa de aprender qual é a real sensação de se jogar sozinho nessa imensidão. Somos criados para enxergar os abismos e paisagens da natureza, sendo que somente saberemos interpretá-los, se primeiro procurarmos enxergar a nossa turva realidade, o próprio abismo. 

Se jogar sem medo, nesse profundo vazio, que de acordo com a própria estória da vida, nunca chega ao fim. É impossível chegar ao fundo. Ao nos lançarmos para dentro desse "abismo", descobriremos que o que seria o "fundo de nós mesmos", é a tão esperada ponte para chegar ao outro lado, a mola propulsora de nossa evolução interna, consciente e realista e humanista, para então voltarmos a realidade que vemos, e daí então, ao observar a novamente as paisagens externas, reconhecemos que poderemos sonhar e desejar tudo, criando assim, nosso próprio mundo. Somos maiores em nossa própria imensidão do que a imensidão da própria realidade que nos circunda. Enquanto não soltarmos as amarras, e nos jogarmos no profundo posso, saindo do pântano lodoso de nossa costumeira superficialidade, nunca chegaremos à imensidão, e ao verdadeiro conceito da realidade. Sonhar, desejar, imaginar, e seguir, rumo ao infinito de nossa própria ficcão, para criar enfim, nossa verdadeira realidade."

(D.Seabra)