terça-feira, 25 de novembro de 2014

sábado, 30 de agosto de 2014

A falsa magra, o cachorro e a macaca

"Nossa não pude deixar de reparar...
O que?
O tanto que seu vestido encurta quando dança...
Hã?
Sim, agarrada na grade descendo e o vestidinho subindo...
....


Oi, vc por aqui.....nossa deixa te falar, essa gola invertida do seu vestido....eh demais!
Deixa eu só dar uma ajustada aqui....
"Nossa que trapézio, que ombros, meu deus que vontade de descer este zíper..."- pensou.
Ai, que mão pesada, com essa bunda então, meu Deus....que é isso.....
.... (tempo, saindo do banheiro)
Tá linda....
Aqui, com todo respeito, tenho 40 anos, sou livre e estou te cortejando sim, mas de boa...
"Gente, peraí.....tem um HOMEM me elogiando....."- disse ela puxando ainda mais o vestido e reforçando aquela cruzada de pernas charmosas....
Hum, ..... ainda bem que...
O que?
Ainda bem que percebi estas duas pintinhas na bochecha e do lado do olho, além do seu cabelo fino.....
Peraí, deixa ver seu sapato.....
Ela levanta a sola......
"Puta que pariu, vou ao banheiro...."
Risos....
Aqui, deixa te falar, nunca torceria para nada dar errado para você e seu marido,....mas se por acaso a fila andar, filha, dá o touque na nossa amiga quando for na Obra.....
Risos
Ai que máximo......
...... nem sei mais....
Você é um homem bom.....
"Bom, pelo menos ela não falou nada de pior..."-pensou ele quando lembrou que ela falou da sua bunda ao ir ao banheiro.
E cada vez mais curto aquele vestido.....
....BOM, o resto não vale à pena....
Foi ele embora......pensou nela.....ao chegar, cruzar as pernas, se agarrar na grade, dançar como num pole, mexer no cabelo, e deixar-se cortejar por aquele cara meio grosso, vulgar, mas com cara de muito bom de cama.......
E pela segunda vez João de Santo Cristo foi expulso do bar, sentiu saudade daquela cheiradinha, e beijinho no pescoço que deixava rolar para não ser rude com seu amigo....... o mesmo que lhe bate a porta na cara.
Mesmo assim, adoro tropeiro. E adorei o encontro.
E ele pensou nela o máximo que pode. Viu ao máximo cada fio de cabelo, cada pinta, a sola do sapato, se ajoelhou e mostrou pra ela seu blog, falou da sua coleção de fotos de sapato, e foi assim.......elogiou ela a noite inteira.
Ela foi embora, chegou em casa, já deixou cair aquele vestido lindo, super sensual, o máximo, e foi para o banheiro. Antes da água já molhava, e ela se viu no espelho, sentiu a pele quente, o suor escorrer pela testa, e falou "nossa!, Como fui cortejada......se olhou, deu volta, parou com a mão na cintura, sentiu ele segurando seu zíper, bom....... sou mesmo falsa magra...



Foi tudo o máximo..."

(D.Seabra)


sexta-feira, 25 de julho de 2014

Tem tanta coisa pra te contar...

"o nosso primeiro encontro foi cheio de descobertas, e desde então a antipatia inicial se transformou em um desejo visceral de você que já atravessa uma década. Sonhos, desencontros, encontros, coisa de pele, desabafos, cheiros, dormir de conchinha...

o primeiro beijo, gosto de cachaça.

Foi meu colo, afago. Quanto afeto e admiração temos um pelo outro...

Fora tudo que nunca esquecerei e ainda vou te falar direto nos olhos....

Ouse!"


D.Seabra

segunda-feira, 21 de julho de 2014

To the Moon, yes please

Lá vem ela
A tempestade rubra
Rio de pensar
Isso sim vale à pena
Sinto algo queimar
Só de olhar
Andiamo! 

Zoom no espelho
A sorte de conhecer
De pintor a vira latas
O que mais em comum?
Ronronando sentidos
O vestido guardado
Sua veste merecida
Não me largue
You can fly me too



D. Seabra

sexta-feira, 18 de julho de 2014

terça-feira, 8 de julho de 2014

"Estou postando isso para uma pessoa com a qual acabei de bater papo no chat aqui do Facebook, me fez lembrar de algo que escrevi quando senti algo parecido com o que veio hoje. Saudades de pessoas, de experiências, de problemas até, e de sucessos, ainda não vividos, de coisas que realmente agregam valor para nossas vidas. Infelizmente nem sempre somos agraciados com a suavidade e doçura que nos consolaria, mas lembre-se, a dureza e a crise, qualquer que sejam, nos fazem crescer. Então não vamos sucatear nosso passado e fechar os olhos para o que somos, caso contrário nunca seremos nós mesmos em nossa plenitude. Tudo tem uma razão. Tudo passa, e o legal é poder ir para frente. Não falo isso como alguém que teve sucesso nesta empreitada, mas como um cara normal, como todo mundo, que está indo, cada vez mais forte, para frente. Fechamos os olhos para ver o que não está em nossa frente, por que não abrí-los para correr mais e mais atrás dos sonhos. Somos o que fomos, somos o que somos, e seremos, o que quisermos. 
Não há como deixar pedaços para trás. Espero que as pessoas que me motivaram a escrever isso leiam com carinho e tirem algo de bom, assim como me passaram, em poucas palavras, gestos, ou apenas através do chat

D.Seabra




quinta-feira, 26 de junho de 2014

Benção do Samba Dela







Saravá, que depois do Adeus





Do poeta branco, 
coração negro




, 
ele que a todos os poetas





Bem dizer da bencão a todos





Negros demais na poesia





De coração, não importa cor





Me resta então muito




 amor
Bem disse quem falta





Meus amigos, que no trovão





Foram benção sim, então





Quando se olha





Apenas o que é o amor"






(D. Seabra)

segunda-feira, 16 de junho de 2014

AMOR QUE MALTRATA

O trovão retumba
A Treva passa
Chuva, seca
A água, rasa
Fome, mata
Saudade, ah saudade!
Amor maltrata


D. Seabra

sábado, 24 de maio de 2014

Juízo Final - Parte 2

Bom não sei se vocês se lembram, em “Juízo Final – Parte 1”, Dante havia acabado de entrar na sala para se reunir com a Diretoria e discutir a sua avaliação de performance como executivo na empresa.

Continuando naquele clima de “vamos logo saber quem será o próximo escalpelado da lista”, começa a falar o Pavão:

“Quando perguntei como é que andam as coisas, garoto, estava falando da sua vida pessoal. Sr. Dante, me conta como você tem lidado com a questão da separação…”

Dante olhou para todos na mesa, que olhavam para ele com aquele ar de “pega leve na resposta pelo amor de Deus”, ou seja, e disse:

“Sr. Pavão, financeiramente, nunca estive tão bem após me separar…”, o que arrancou gargalhadas de todos.

“… fisicamente, tenho feito bastante exercícios em academia para ver se diminui o estresse, e psicologicamente…”, foi quando veio o Sr. Pavão e interrompeu, com aquele ar de malandro da pior qualidade em quem não se pode confiar, dizendo:

“Eu perguntei é se você está comendo muita mulher (fazendo com as mãos um gesto simbolizando uma vulva), pois é isso que vai te tirar do buraco, boceta!”
 
Após esta exclamação o Sr. Pavão, naquele melhor estilo mal caráter, foi praticamente ovacionado pela turma de puxa-sacos de plantão.

“É isso mesmo, Dante, boceta! Bota pra quebrar…!”, disse o Sr. Xong Wong, aquele do nó de gravata que parecia cada vez mais minusculo.

“Srs, pra falar a verdade não estou nem me masturbando direito, de tantos remédios que tenho tomado por conta do div … mas isso não importa pra vocês..”, disse Dante com um tom bem mais sério, mas que não deixou de arrancar gargalhadas no grupo.

“Agora, fora os outros remedinhos não é meu caro…?”, disse em tom irônico um dos colegas Diretores, que até então havia ficado calado.

“Não vamos entrar em conversas ligadas ao meu lado pessoal, Sr. Bento…”, respondeu Dante rispidamente para o sujeito. Em sua cabeça, veio a imagem daquele projeto de yuppie, frustradinho de Wall Street, comendo a estagiária nova de seu colega na escada do prédio onde teve a sua festa de aniversário, encharcado em “remedinhos, e bêbado como gostava de ficar.

“Aqui tratamos de assuntos diversos, inclusive pessoais…, interrompeu, com um tom de poder, o Sr. Pavão.

“Minha vida pessoal é a minha vida pessoal, e mesmo que vocês investiguem, espionem, copiem, tirem fotos, não vou discutir nada que não seja aberto nesta sala aqui…”, disse ele batendo a mão aberta no tampo vidro da mesa.

Muito “caxias”, com o trabalho, Dante sempre foi de checar todos os procedimentos e normas. Parece que ele tinha uma memória fotográfica para certas coisas. Ele sabia que tudo aquilo que estavam usando para rebaixá-lo, ou seja, eliminá-lo, não apenas a ele mas a sua felicidade, deveria ser aberto para ele, se fosse ser usado para seu eventual desligamento, que era o que ele esperava.

Ou seja, se existissem motivos, deviam ser claros, e não eram. Todos sabiam que aquilo tudo era fruto de espionagem sofisticada, feita de forma ilegal. Arrombamento de vida pessoal.

Dante ainda disse em tom irônico, ”a minha esposa, quer dizer, ex-mulher, já foi embora, não há mais ninguém além de mim para vocês ameaçarem com seus joguinhos vorazes. Vou colocar fogo nisso tudo…”.

Dante falava de ameaças que começou a receber, em casa, ele e sua esposa, sobre assuntos ligados às “mega” concorrências pelas quais ele era o responsável na empresa. O menino tinha alguns bilhões de dólares em licitações sob sua responsabilidade, e por falar nisso, era o que ele sabia fazer bem. Melhor do que qualquer um.

E ser bom, neste assim como em todos os mercados, causa algo muito degradante para nossas vidas. A inveja dos outros.

“Mas quem falou em espionagem, ameaças?”, perguntou O Sr. Pavão olhando para o restante da platéia. Pra variar o bando de babacas se entreolhava e ficava calado como sempre, consentindo com qualquer merda que aquele cara falava.

“Vocês sabem muito bem do que estou falando, ou aquele dia em que visitamos a “Sala do Pânico”, eram clones dos senhores, e não vocês mesmos, junto comigo.”

A tal sala, era um centro de processamento de dados com poderes de acesso à todas as unidadades, funcionários e seus dados e dispositivos, imagens, gravações, tudo que pode ser eventualmente utilizado contra ou a favor de alguém.  

Neste momento Dante lembra rapidamente das demonstrações que fizeram os rapazes da tal sala, que ficava no subsolo. Painéis e monitores mostrando como as pessoas da empresa eram grampeadas em casa, no trabalho, as mulheres, os filhos, câmeras, telefones que gravam e batem fotos até desligados, etc.

E Dante, mesmo sabedor disso, nunca deixou de ser quem ele era, e continuava sim, a também aprontar as suas. Ele sabia que tudo estava bem aparente internamente na empresa, também. Ou seja, todos sabiam de seus, “Problemas”.

Lembrou rapidamente do seu divórcio, das brigas, das baladas, excesso de bebidas, drogas, remédios, seu universo paralelo, aquele passageiro sombrio, como ele gostava de pensar, não cabia mais no mesmo lugar, tinha que aparecer, e era isso que estava acontecendo. Ele sabia que era vigiado.

“Bom, para encurtar o assunto…, disse Dante em tom enérgico como se fosse o chefe da reunião, “Eu vou deixar claro que não irei ceder à estas ameaças, por mais superficiais que sejam, há provas materiais, e não irei desistir de seguir meu caminho aqui dentro. Já disse a vocês, criei e estruturei a minha área, tenho uma equipe motivada, treinada e de alta performance. Promovi mais executivos, desenvolvi talentos. Solicitei pesquisas de clima adicionais, que mostram que meus funcionários buscam a aderência aos valores e metas da nossa Diretoria, e sabemos que nosso time é ponto fora da curva…”.

“Bati todas as metas e toda a equipe vai ganhar bônus completo…, o que mais querem?”, perguntou Dante.

“Estamos preocupados com você…”, disse o Sr. Pavão com uma cara de benevolência, que parecia o Papa.

“Vamos parar de baboseira, ou vocês abrem o jogo ou eu vou estourar esta merda, jogá-la no ventilador e mostrar aos clientes internos onde está nosso problema…” disse ele olhando nos olhos do Sr. Pavão, que continuava sentado na cadeira como se estivesse no boteco.

Dante sabia de acertos e conluios excusos, tocados pelo Sr. Pavão, tudo devido aos seus contatos chave. Contatos que ninguém ali imaginava serem do network de Dante.

“Se você pensa que me ameaça com isso, Sr. Dante, se engana. Se você pensa que sabe, de onde vem isso, Sr. Dante, também se engana…”, disse o Pavão, passando para um tom ameaçador.

“A grande pergunta nem sempre é, sobre alguém querer alguma coisa, mas sim quem é esse alguém que quer algo. Você no meio disso…”, falou Sr. Pavão agora em tom totalmente ameaçador.

E Dante sabia de muito mais coisas do que eles imaginavam… mas sentia no fundo que estava chegando a hora de uma grande mudança.

“Nós temos informações e dados consistentes para lhe assegurar que o Sr. teve uma queda de performance considerável, e não tem percebido, Sr. Dante.”, disse Pavão olhando para os demais que consentiam com sinais de cabeça.

“Mas a performance e as notas da minha turma atingiram níveis máximos, o cumprimento das metas…”, disse Dante quando foi interrompido.

“Aqui nesta mesa”, disse o Sr. Pavão, batendo nela com bastante força, “a banda toca diferente garoto, de nada vale este seu painelzinho de metas”…

“Estamos falando de coisa grossa, disse o Sr. Wong, há quase uma hora calado…você sabe disso Dante. Você está “se achando”, mas cuidado, você pode e está prestes a se dar muito mal, se continuar achando que pode negociar com todo mundo que você quiser.

“Vamos ser claros, vocês estão falando do caso daquela obra, da qual reduzi os valores significativamente, ou do caso onde a planta de processamento dos materiais caiu quase para  metade do preço? Vocês estão reclaman….”,

“Cale a boca Dante, por favor…”, disse o Sr. Pavão com uma cara de que ia chegar a um fim aquela besteirada toda.

“… arrumando um jeito de me ferrar porque abaixei os preços demais?”, gritou Dante quando foi interrompido novamente pelo chefe supremo.
 
“Eu já disse, cale a boca rapaz…”.

Ainda na sala, o clima continuava meio congelado, como se todos esperassem uma resposta…






(não percam! Juízo Final - Part 3 (finale)

(D.Seabra)