quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Blackhawk Down

"Ela havia lido no Washington Post sobre aquele capitão da Força Aérea, piloto de helicóptero, que após um acidente no Afeganistão, teve seu corpo literalmente partido em dois. 


Seu cérebro, que continha todo o poder de sua mente, ficou intacto e em perfeitas condições de utilização. 

Neste caso aquele "meio" soldado, somente se tornou herói após a sua morte, retardada por processos mecânicos e químicos, uma prisão em si mesmo. 


Ele era tão poderoso apenas com a sua mente, que começou a ser novamente considerado um "recurso", e posteriormente uma "arma letal". Mente presa em uma existência já inativa. Seu lugar, obviamente, não era mais aqui.


Eles, sim aqueles nove, tinham a capacidade de criar em sua mente as situações nas quais ele precisava viajar ao passado e ao futuro, desvendando crimes, atuando estratégica e maquiavelicamente a serviço de um bem maior, quer dizer, da nação. Uma nação que se gabava de seu povo, mas era capaz de aprisioná-lo em prol de um objetivo sombrio, deveras lucrativo.

Sua mente não mais pertencia àquele corpo, àquela casa. Seu maior prêmio, após se tornar herói, foi o direito de se libertar daquele corpo não mais funcional. 

Ele descobriu, que cada vez que sua mente era novamente limpa das memórias de cada uma das missões, nascia de novo. Sua mente viajava livre sob o controle daqueles nove, quando eles queriam. Nestes momentos ele foi o seu maior herói. Mas não queria ter que morrer, para esquecer, e nascer. Entendia que nascia cada vez mais morto.

Sua vida se completava quando deixavam sua mente se liberar daquele corpo inútil e viajar quebrando as barreiras do espaço e do tempo. Como no cinema. Como morto que era, sentia sim que partira para nova etapa, mais deslumbrante e inquietante do que qualquer coisa jamais vista ou vivenciada por ele.

Ele vivia, quando morria. 

Ao morrer nas novas vidas, ou melhor em cada missão, nascia ser humano novamente. Se via mais uma vez incompleto, desprovido das asas da liberdade tão almejada por aquele povo.


Se sentiu mais próximo de Deus, cada vez que se tornava menos humano, mais sobrenatural. " 

Então ela o deixou. Abandonou aquele corpo, e deixou a sua mente aprisionada na enfermidade do recipiente. 


O castigo dele era viver. Ela se castigava com as lembranças. 

De tudo que nunca aconteceu. Se realmente o amasse, teria liberado a sua mente daquela massa inútil. Pelo contrário, ela queria que ele se visse toda vez, nascendo incompleto, sentindo falta de pernas, braços e órgãos.


Sumiu. E nunca vamos saber onde andam e quem eles são.


(D.Seabra)

Aplausos!

Um dia um mágico foi a um show de mágica, e de seu lugar na primeira fileira, tentava adivinhar os truques de seu colega. Foi assim....

Abracadabra
Olho de pavão
Canela de sabiá
Morcego corno,
Chifre de bode
Perna de cabrito
Tudo no caldeirão
Elefante no palco
Puff! Sumiu

Ele nunca entendeu a mágica dos mágicos, pois queria desvendar o segredo de sua própria vida.

Desvendando a vida dos outros.
Mágicos.

Dare you...