quinta-feira, 3 de outubro de 2013


A asa e a pena

Na leveza da pena,
Repousa o saber das asas
Se não te controla, então quem?
Asas te desejo para voar
Em suas penas me acalmar, de paz
Segredo morto, acordem!
Voamos juntos.

(D.Seabra)

Tira esta roupa!



Tira esta roupa,

Costume de força, 
respira e toma de volta
A vida, a sua
Pragmático machado
Tripas arranhadas
De vidro mastigado
Janelas de ouro, entalhes de pureza
Alma enganada, abomina
Lado de mim que nem pensa, sai!
Morar em mim de novo.

(D.Seabra)

De novo o sonho!


Novamente

Minha vida é de amor
Meu amor hoje é só
Bóia, nas águas da fantasia
De ter alguém que me vê
Apenas como eu sou
Nunca irei sonhar
Com alguém que nunca sonha
Sou sonho, sou pesadelo
De mim mesmo, acordado
Quero dormir para sempre
Se puder sonhar assim
Cansei de sonhos apenas
Quero realidade
Mas ela dói, ela foge
Do controle do sonho
Nem posso voar.

(D. Seabra)

Não!


Não,

Não olho para mim
Como quem nunca a viu
Amor, sim, olhar, lembrar
Breves soluços, suspiros
Falta me ar, respiro
O amor se te vejo
Sufoco em sua ausência
Traga de novo meu ar
Poderei então, enfim
Fechar os olhos

Consciente de quem
Se sabe ou não
Quando sabe, olha
O que, quem?
Quer ver, quem
De você somente eu
Sinto, você, sente
Sentimos muito
Pele, ah sim!
Diplomata do desejo
A nova ordem do silêncio
Não serão elas, palavras
Que caberão, nos farão andar
Mas sim, você

Seus anseios e desejos
Sim, hei sim de realizar
Realizar-me, por ti
Até o mais meu, será seu
Servir de teu, tudo
Seu desejo, meu, então
Sou tudo e nada, pois
Nada serei se não tiver
Meus desejos sempre
Dizem você, amar
Ter, nunca manter

Que mãos então,
Calejadas, cansadas,
Guardavam segredos puros
Não ha mais motivo
Nem cura, se sente
Vencido, perdida, traída
Sou só, tristeza sem nome
De quem nunca pensa
Em si, para te ter
Entenderei sim, e então
Solfejo a confusão
Dessa melodia
Cantar o pranto, querer
Pensar no que pode
Não mais fazer

Aprendo a saber sofrer
Como fiz, sofrer
Ama então a ti e foge
Meu cerne de lucidez
Você, pólo de loucura
Se me vejo, simples
Sóbrio, se não

Que cor de vento
Lhe traz, seu cheiro
Sopra em mim, limpa
Refresca a dor, lenta
Meus olhos turvos, fechados
Te ver, alívio aos olhos
Novamente fechá-los
Aconchego então?

Não me roubes
O que me roubaste
Se te roubam, minha
Me rouba, seu
Fomos atacados
Em perigo nos vimos
Sim, me quis além
Seu querer, pobre de ti
Rico de sofrer, sóbrio


Saber te ver, seus sonhos
Se reais enfim, você
Seu sonho, durmo
Meus, teus, enfim
Se vira realidade
Continuo sonhando
Viver a vida real
Do sonho, durmo

Em mim, ou em ti
Se lá dentro, dele
Peito que grita, berra
Orgulho e razão, fogem
Verbo solto, não era nada
Que se dizia do amor,
Ele volta, ele foi?
Sentir, sim, sentimos, eu,
Você, muito se não
Em tudo que nada vale
Que ódio não é em vão?

Seu grito me acorda
Mas nunca espanta
Você de mim, e nunca
Serei de novo eu
Se não repousa em mim
Fecho os olhos.

Ideais um do outro
Irreais verdades
Mentiras sonhadas
Pesadelo não te ter
Foi sim, de outra
Mas sempre o pavor
Era acordar de sonhos
Onde nem te ver
Nem saber, o quê,
Por quê, onde moras
Não, não existe nada
Amor sem ódio
Ódio que não vale
Por ele, por ela
A pena.

(D.Seabra)

Até onde pode o olhar?