quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Vampiragem

Pesadelo?

Desejos inconscientes
Defesa do amor
Culpa e ódio
Alimento dos mortos
Ansiedade possessiva
Sensual dramático
Sádico pelo amor
Flúidos orais
Sémen do intelecto
Troca ousada
Noite e dia




Ousar da sorte
Pra que tentar
Sempre queima
Ritual oral
Não da carne
Bebe o sangue
Emfim, sós





 Daqui pra frente
Noite é dia
Dia escuro
Forte sentido
Força sexual
Risco aparente
Tenho medo
De mim.

(D.Seabra)



sábado, 14 de dezembro de 2013

Borrado


Então o quê?
Dias de tormenta
Busca em quem
Pétala perdida
Sede de quem
Se é que pode
Ser quem é

(D.Seabra)

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Me escuta!



CENA 10 – INT / INT / SALA


Através da visão turva e trêmula de JACOB em meio às lágrimas, ouvimos a voz de KIARA.

KIARA (OVER): em tom que começa a ecoar, aumentando a nossa percepção de desespero sentido por JACOB.

KIARA: Quero que me olhe bem nos olhos, Sr. JACOB…eu te juro, me vi enfiando o salto deste sapato, o mesmo que você costuma ver em outras piranhas com esta porra de olhos, molhados por estas lágrimas de remorso. Sinto seu cheiro de dissimulação. Por outro lado, te deixando, serei obrigada a me jogar nos mesmos cantos em que você se jogou, e com estes sapatos, seu escroto, a minha vantagem será enorme. Morrer, ficar cego, machucado, não. Prefiro dar minhas risadas de bruxa ao lembrar, bem de longe deste inferno, que a única chance de me ver, a partir de agora, será fechando seus olhos traiçoeiros. Você não se diz poeta?

KIARA (OVER): Ouvimos KIARA raspando a garganta.

CORTA

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Blackhawk Down

"Ela havia lido no Washington Post sobre aquele capitão da Força Aérea, piloto de helicóptero, que após um acidente no Afeganistão, teve seu corpo literalmente partido em dois. 


Seu cérebro, que continha todo o poder de sua mente, ficou intacto e em perfeitas condições de utilização. 

Neste caso aquele "meio" soldado, somente se tornou herói após a sua morte, retardada por processos mecânicos e químicos, uma prisão em si mesmo. 


Ele era tão poderoso apenas com a sua mente, que começou a ser novamente considerado um "recurso", e posteriormente uma "arma letal". Mente presa em uma existência já inativa. Seu lugar, obviamente, não era mais aqui.


Eles, sim aqueles nove, tinham a capacidade de criar em sua mente as situações nas quais ele precisava viajar ao passado e ao futuro, desvendando crimes, atuando estratégica e maquiavelicamente a serviço de um bem maior, quer dizer, da nação. Uma nação que se gabava de seu povo, mas era capaz de aprisioná-lo em prol de um objetivo sombrio, deveras lucrativo.

Sua mente não mais pertencia àquele corpo, àquela casa. Seu maior prêmio, após se tornar herói, foi o direito de se libertar daquele corpo não mais funcional. 

Ele descobriu, que cada vez que sua mente era novamente limpa das memórias de cada uma das missões, nascia de novo. Sua mente viajava livre sob o controle daqueles nove, quando eles queriam. Nestes momentos ele foi o seu maior herói. Mas não queria ter que morrer, para esquecer, e nascer. Entendia que nascia cada vez mais morto.

Sua vida se completava quando deixavam sua mente se liberar daquele corpo inútil e viajar quebrando as barreiras do espaço e do tempo. Como no cinema. Como morto que era, sentia sim que partira para nova etapa, mais deslumbrante e inquietante do que qualquer coisa jamais vista ou vivenciada por ele.

Ele vivia, quando morria. 

Ao morrer nas novas vidas, ou melhor em cada missão, nascia ser humano novamente. Se via mais uma vez incompleto, desprovido das asas da liberdade tão almejada por aquele povo.


Se sentiu mais próximo de Deus, cada vez que se tornava menos humano, mais sobrenatural. " 

Então ela o deixou. Abandonou aquele corpo, e deixou a sua mente aprisionada na enfermidade do recipiente. 


O castigo dele era viver. Ela se castigava com as lembranças. 

De tudo que nunca aconteceu. Se realmente o amasse, teria liberado a sua mente daquela massa inútil. Pelo contrário, ela queria que ele se visse toda vez, nascendo incompleto, sentindo falta de pernas, braços e órgãos.


Sumiu. E nunca vamos saber onde andam e quem eles são.


(D.Seabra)

Aplausos!

Um dia um mágico foi a um show de mágica, e de seu lugar na primeira fileira, tentava adivinhar os truques de seu colega. Foi assim....

Abracadabra
Olho de pavão
Canela de sabiá
Morcego corno,
Chifre de bode
Perna de cabrito
Tudo no caldeirão
Elefante no palco
Puff! Sumiu

Ele nunca entendeu a mágica dos mágicos, pois queria desvendar o segredo de sua própria vida.

Desvendando a vida dos outros.
Mágicos.

Dare you...


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Scrap

Eu acho….

A vida não seria tão emocionante se não fossem as pessoas emocionantes que conhecemos durante esta estadia. E quando sabemos que alguma mensagem nos parece ser direcionada a nós, com certeza é porque era sim direcionada aos nossos corações, pois tudo aquilo que nos emociona nada mais é, do que o que nós nos permitimos sentir com emoção. 

Quanto de verdade de nossas emoções são realmente aquelas que queremos sentir?

Disse que fazer as pazes com o passado é bom, mas não queria dizer que deve-se abandonar qualquer coisa do passado. 

Procurar sentir o que sentimos no outro, para mim significa amor, algum amor.

(D. Seabra)

sábado, 9 de novembro de 2013

Enquanto isso no metrô...



"Então ele tomou coragem e se virou olhando bem nos olhos dela, grandes, escuros. Todos os dias estava ela lá. Desejava que aquilo não fosse somente um espasmo. Sim, espasmos de toda sorte. Ele pensava nesta palavra com uma ansiedade que o consumia. Ele nasceu ansioso. Ele sabia, sentia, sim, aquele sexo. 

O que seria daquele sexo ainda apenas em desejos, se tornasse realidade. Se assustou quando pensou que aquele poderia ser um grande desafio. Com ela, por ela, fome. Como de carne. Sede dela, gritou escrevendo seu bilhete em letras maísculas. 

Se elevou quando se lembrou dos fatos do futuro, que ele sim, nunca deixou de querer, desde que a viu pela primeira vez com aquele vestido coladinho em uma manhã de muito calor. Ele disse: "Assim comecaria o filme onde você seria o desejo. Eu te encontrarei no futuro mais próximo, e se passado for lembrar e ter saudade de você, comerei carne. Eu acredito que nunca me sentiria à vontade, mesmo se fosse somente por grana. Nunca a sufocaria, mas te deixaria se sentindo sufocada, analisada curva a curva, sorriso, e sem dúvida, aquela sua boca do tipo safadinha, quando me olha de volta sem saber que estou vendo, pode me fazer estragos.... odeio odiar a sua liberdade, antes mesmo de te perguntar se é livre. Com este sorriso e jeito, só pode ser livre. Só após ficarmos separados três dias, posso dizer….o tamanho da dor, depois de te ter, de ser seu, te desejarei de coração por mim mesmo, tenho certeza de que serei caçado, preso, e então só você poderá saber o que fará de mim. Opa! Tenho que sair e ainda te entregar o bilhete."

Me liga!"

(D.Seabra)




terça-feira, 15 de outubro de 2013

A Rosa Triste



As suas lágrimas caíram na terra e ali nasceu a Rosa Triste. 


Aquela foi a única Vida que floresceu naquela montanha. A Montanha da Rosa Triste. 

Sem ela não havia mais Vida. 

A Rosa se manterá viva sugando a energia e os sentimentos de quem a segura. 

Quando não restam mais sentimentos, a Rosa Triste passa para outra Pessoa. A Montanha da Rosa Triste então ruiu. Lágrimas não haviam mais, nem de amor, nem de dor. 

E nada mais floresceu em nenhum lugar. 



quinta-feira, 3 de outubro de 2013


A asa e a pena

Na leveza da pena,
Repousa o saber das asas
Se não te controla, então quem?
Asas te desejo para voar
Em suas penas me acalmar, de paz
Segredo morto, acordem!
Voamos juntos.

(D.Seabra)

Tira esta roupa!



Tira esta roupa,

Costume de força, 
respira e toma de volta
A vida, a sua
Pragmático machado
Tripas arranhadas
De vidro mastigado
Janelas de ouro, entalhes de pureza
Alma enganada, abomina
Lado de mim que nem pensa, sai!
Morar em mim de novo.

(D.Seabra)