quarta-feira, 10 de agosto de 2016

URUBU QUE MALTRATA, MAS...

Estava difícil de aguentar. Brincadeira. Duas senhoras sentadas ao meu lado não paravam de rir. O cheiro era de matar. A famosa “tataca”, ou “zika”, ou “carniça” mesmo. Não importa o nome. Parecia que tinha algum bicho morto ali dentro do avião. Eu senti o cheiro logo quando entrei na aeronave na hora do embarque.

Era aquela catinga que arde até os olhos, sem qualquer exagero. E olha que sempre pratiquei esportes, joguei futebol, pedalei, sempre suando debaixo do sol e com um monte de gente suada do lado. Sempre andei de ônibus, mesmo quando tinha carro. E vira e mexe a gente sente, algum dia todo mundo já sentiu. O famoso “cecê”, ou "CC", não importa como se escreve. O que importa é que estava fedido e o povo todo em volta se sentindo incomodado.

Eu cheguei a conferir, cheirei debaixo do meu próprio braço para ver se eu não tinha dado esse azar, mas me lembrava que ao sair de casa passei bastante desodorante por causa da viagem longa, e ainda um pouco de perfume.  A senhora sentada na poltrona logo atrás de mim falou “Não filho, não se preocupe, a gente viu ele passando, foi lá pra trás graças a Deus, daqui a pouco deve melhorar.” Eu perguntei o que tinha acontecido.

“Foi apenas um cara que passou bastante suado, parecia que tinha corrido o caminho inteiro até o aeroporto, moço.” – disse a senhora, toda chique o morrendo de rir com as amigas. Sei lá. Só sei que estava cheirando mal demais. Tão fedido que dava até náuseas. Ninguém estava aguentando e começaram até a fazer piadinhas. Só escutei algumas pessoas em volta.

- “Será que tem algum bicho morto dentro do avião”?

- “Aeromoça, me dá um copo d’água?”

- “Moça, podemos voar de janela aberta? É só até São Paulo!”

- “Amor, pega o cardápio aí e veja se tem desodorante, a gente pode comprar um e mandar entregar lá na 29C.”

E por aí vai... na hora da decolagem a senhora do meu lado falou: - “Vamos ver se nenhum Urubu segue o avião, hoje em dia esse negócio de ave é perigoso, elas entram na turbina e pode ser o maior estrago"﷽﷽﷽﷽﷽﷽﷽﷽ elas entram na turbina e pode ser o maior estrago, de comprar um e mandar entregar lsa da viagem longa, e ainda borri". Ela estava com uma cara de azarenta que me deu até arrepios. Pensei em Deus, queria chegar bem ao meu destino, mesmo no meio daquele cheiro insuportável.

Com o tempo, acho que a coisa foi se diluindo no ar, mas no ar condicionado. O que piora a situação, na verdade. Peguei uma blusa de frio na mochila e quando a coloquei senti o cheiro do armário, que sempre me faz espirrar. Mas desta vez não aconteceu nada, respirei fundo, como se estivesse cansado, e foi muito bom.


“Calma moço”, disse a senhora. “Já está passando...”. Olhamos um para o outro e demos aquela gargalhada. Percebi pelo hálito que ela era fumante, então entendi o sofrimento dobrado que estava sentindo. Fumante não sente cheiro. O que ela estava sentindo deveria ser um pouquinho, uma amostra da verdadeira "maré", da catinga, do mal cheiro que todos estavam sentindo.
 
Não aguentei, levantei para esticar as pernas e dar uma boa respirada abrindo os braços, como faço quando estou com preguiça. Só que dessa vez estava pedindo socorro, parece que libertava a alma. Mas a tal da “boa respirada”, só me fez sentir de novo aquela catinga, aquela "zika”, odor do capeta, acho que nem o Tinhoso aguentaria.

Fiquei tonto, quase caí. Aquela “subaqueira” estava me deixando tonto.

“Senhor, por favor fique no seu lugar e aperte o cinto, já vamos decolar..”- disse uma das aeromoças.

“Tudo bem moça..”- disse para ela fazendo uma cara de coitado e olhando para a parte traseira da aeronave. Ela me olhou, virou para trás, e de repente soltou uma gargalhada, com certeza bem fora dos protocolos da companhia aérea, e rapidamente tapou a boca e correu para o fundo do avião.

“Começou a feder de novo”- disse ela quase sussurrando olhando para trás enquanto corria para passar os procedimentos de segurança.

Quando o comissário do meu lado mostrou como se colocava a máscara de oxigênio, o avião inteiro soltou uma gargalhada, parecia show de auditório, sem brincadeira. Eu juro que foi verdade. O comissário quase não aguentou terminar de passar os procedimentos, de tanto rir.

“Moço...", - gritou uma senhora lá da frente, - “as máscaras só são ativadas em caso de despressurização?”

Nova onda de gargalhadas.

“Bem vindos senhores passageiros.” – falou o piloto do avião no sistema de som.

“Nosso voô terá duração de....”, e todos escutaram um soluço seguido de uma tosse que parecia ânsia de vômito. “... duas horas e meia”, terminou o piloto e todos juraram que ele estava com voz de quem parecia estar chorando. Mas era um risinho bem maroto, lá no fundo.

“Gente, tá danado, chegou até na cabine...” fal
ou de novo a madame do meu lado. A gente já estava era morrendo de rir, nem ligava mais para o cheiro.


Foi um voo muito divertido, apesar de fedorento. Parece que todo mundo precisava daquele momento de descontração, e acabamos entrando numa vibração coletiva que ao final nem se sabia mais, aliás nunca se soube, quem era o desgraçado fedorento que estava lá com aquele odor do capeta.

Não importava mais, o avião aterrissou. Ouvi palmas, coisa que já não acontece há tempos. Antigamente o povo batia palmas quando o voo chegava são e salvo em seu destino.

Foi um momento fraterno, de solidariedade e bom humor. Mas ninguém parecia querer ficar na aeronave.

Vi um cara tentando abrir a porta de emergência, claro, de brincadeira. As aeromoças não paravam de rir.

Fomos embora, um a um, cumprimentando o piloto e os comissários lá na frente, e todos que passavam ou davam uma olhada para trás, ou simplesmente faziam mais algum comentário, mais risadas.

Todos estavam parecendo bem alegres. E todos partiram para mais um dia de trabalho, ou passeio, ou curtição, ou qualquer coisa. Senti que todos estavam um pouco mais felizes.

Nunca mais aconteceu comigo. Mas toda vez que entro de novo em algum avião, lembro daquele cheiro, e começo a sorrir pra todo mundo.

Aquele cheiro de Urubu, aquela catinga, tinha nos maltratado. Mas todos saíram um pouco mais felizes, e sorridentes. Espero nunca mais sentir aquele cheiro, mas espero sempre ter motivos para rir daquele jeito.


Apertem os cintos, e respirem fundo. Quem sabe ele não está aí por perto?


D. Seabra






sábado, 16 de julho de 2016

Caras, bocas, olhares .....

 Aline e suas bocas

De longe ele a viu, parade, olhando para cima, com uma expressão suave de felicidade e o início de um grande sorriso se formando naquela boca carnuda e bem desenhada.
Ele se aproximou…. Olhou para ela bem nos olhos, ..percebeu que ela olhou para ele de cima a baixo antes de chegar perto, e antes de encará-lo nos olhos deu uma boa olhada na boca dele…
“Não acredito”…pensou ele sentindo aquele velho arrepio que vinha de dentro pra fora…
Havia recíproca no olhar. A não ser quando ela olhava para a sua boca. Quando ela fazia isso, ele percebia demais, e ela parecia não conseguir se controlar. Ficava séria, demorou a soltar uma gargalhada. Mas havia recíproca da sua boca. Ele riu.



Eles se olham, e olham a boca um do outro. As convenções comunicação moderna não são suficientes para descrever a sensação dela naquele momento… resumindo, não há palavras para explicar o fenômeno que acontecia dentro dela……o foco deve ser no cara…
“Eu tenho que ir, já está tarde”….disse ela, quase arrancando um pedaço da boca dele com aqueles olhos azuis, bem destacados por aquele contorno escuro que dava sim um tom de agressividade no meio de tanta suavidade.
“A gente se fala?”... perguntou ela, com aquela voz que parecia amaciada por algum filtro de veludo, que o fazia ouvir e sentir cada palavra como se pudesse ser tocado por aquela boca carnuda, maravilhosa. Arrepios no pescoço, subindo pela espinha e saindo pela nuca, sentiu até a sua temperatura aumentar.
"Pelo menos ela não usou o gerúndio", pensou... tentando se pendurar no último fio daquela teia de aranha, naquela hora qualquer fiapo de esperança era melhor do que o sentimento de derrota que normalmente toma conta de um homem quando não se sente "desejado" por uma mulher. Pobres de nós... 
Mas homem também tem boca. E as vezes até pensa. E ela, certa de si, tentava acreditar que o ogro iria entender a mensagem, alguma hora.

Foram embora. Nunca mais se viram. Ele sempre lembrava dela…..até que, seis anos depois, se viram novamente, e começaram a se falar, combinar, se declarar através de mensagens, algo que ainda o remetia ao sentimento anterior, dele, a recíproca. Saudade da boca. Dela.
Chegaram a falar um para o outro que queriam muito se ver. Quer dizer, escreveram um para o outro. Esperam o olhar ….. e suas bocas … falando cada vez mais de longe, bocas pensantes, a confusão de mentes errantes! 

Pensava no rosto, nos olhos, nos cabelos. Pensava no jeito, na voz, nos movimentos, e nos detalhes que percebia ou imaginava. Era mesmo uma atração diferente, como ele queria. Nada convencional. Aquela boca era algo fora do normal.
Continuam tentando. Mas ele não tinha nem o nome, muito menos o telefone.... só a lembrança das bocas.

(D.Seabra)


quarta-feira, 3 de junho de 2015

Gravado na Memória


D. Seabra

De Primeiro Grau

O Pomar e as jabuticabas

Ele teve uma surpresa quando a conheceu, ela parecia ser exatamente como ele a imaginava, antes de conhecê-la.

Andava de um lado pro outro, na sua casa, desde que tinha perdido mais uma vez o contato com ela pela internet. De repente se viu em pé, de frente aos pés de Jabuticaba, no seu pomar, na casa onde morava. 

Daquele pomar havia tirado muitas respostas em vários momentos, para questões emocionais e sentimentais.

Ela lhe chamou a atenção pelo jeito direto, pela forma de falar, e também, pela estonteante beleza de menina, mas com aquele toque mágico de mulher. Não sabia o que era na verdade, mas algo começou a lhe puxar o pensamento na direção dela.

Bem em meio ao seus anseios e sonhos com alguém que nunca encontrara, ele se viu escavando o pântano lodoso que existia dentro dele, quando então achou o que esperava. Uma flor.

Ele podia ter lembrado do Lírio, que nasce do lodo, das orquídeas que plantava ao redor de sua casa, das rosas que se entrelaçavam nos galhos de uma laranjeira já bastante desgastada e velha, mas que ainda dava seus frutos grandes e doces de vez em quando.

Mas não, pensou em outra flor. Na flor da Jabuticaba.

A flor da Jabuticaba cobre os seus galhos como um manto de pérolas, fazendo desaparecer as imperfeições de sua superfície irregular, cheia de defeitos, tortuosa.

Ele pensou nos seus defeitos, nas suas flores, e pensou nela. Lembrou do que ela disse quando se conheceram: “quero me mostrar para você, apresentar o que tenho de melhor, mas também o que tenho de pior”.  Ele nunca esqueceu aquela frase, mas ali, naquele momento, pensou que era isso que ele buscava. Outra pessoa, diferente, autêntica, disposta a se mostrar como era.

 Pensou no pomar, nas frutas, nas estações, imaginou, pensou em encontrá-la, como seria a primeira vez, o primeiro sorriso, primeiro abraço, as curiosidades, a vontade de se conhecer. Sim, ele havia sentido dela uma vontade de se aproximar, e queria muito deixar isso rolar. Não sabia por que. Mas queria muito.

Começou a imaginar ela, aquela entidade de beleza escondida nos tempos, tão perto, tão longe. Do nada, havia tomado um coice de emoções, e seu coração pulava pela boca quando olhava a foto dela, que havia colocado na tela de fundo de seu celular. Desde que se conheceram ele não parava de pensar, e foi isso.

Ele imaginou que as pessoas fossem como pomares. Ele era um pomar, ela era outro.

Dentro dela haviam 4 estações, e dentro dele também. Mas nem sempre o verão dele coincidia com o dela. Quando nela era inverno, nele primavera, quando ele tinha o outono, quase inverno, ela irradiava o sol do verão. Assim como as estações seriam diferentes, as frutas também.

Eles trocariam frutas entre si, a cada estação algo de diferente. No seu verão, tomado pelo seu amor, ele lhe dava amoras, e ela lhe entregava sorridente uma cesta de limões capeta.

No outono dela, ele ganhou caqui, o traíra do pomar, para ele sentir o tempo, o doce dele. Naquela semana ele deu pitangas a ela, que brilhavam como os seus olhos quando olhava para a foto dela,  no celular.

Uma vez ela lhe trouxe jabuticabas, ele levou goiaba, e eles brincaram com as sementes da romã. Já comeram amoras juntos. Viram nascer as primeiras acerolas.

Já começava a escurecer, e as orquídeas que ele plantou na cerca refletiam a luz da lua cheia daquela noite, uma linha azulada na mesma altura ao redor da casa, ele respirou fundo e ainda viu as flores da jabuticabeira. Decidiu que, das suas jabuticabas, só poderiam aproveitar, aqueles que tivessem visto, e aprendido com as flores.

Imaginar o seu doce, sentir seu perfume, ver as flores caindo, olhar o chão coberto com as pérolas não mais vivas, mas ainda formando um tapete lindo, para finalmente contemplar seus galhos, defeituosos, descascados, e em breve arrancar deles finalmente o doce. O prazer de comer uma jabuticaba, o prazer de sentir o doce após tantas sensações.

Ele queria ver a flor. Ele queria saber mais dela. Conhecer suas estações. Pensou em escrever aquilo mas ainda lhe faltavam palavras.

Fechou os olhos, e a viu. Ela parecia tão viva ali na sua frente, tão ardente corpo, o brilho dos olhos, ele se descontrolou. Abriu os olhos, perdeu de vista seu sonho e tentou vê-la de novo. Não conseguiu, mas sabia que ela existia. Ela a tinha visto.

Lembrou de uma frase de um filme de arte feito por um amigo seu, “O amor, nasce e morre, por imagens....”.

E continuou a  pensar nela.... 


(D. Seabra)

sábado, 16 de maio de 2015

NEVERMIND

E então ele a viu novamente, sentada naquele canto do bar ouvindo rock sem se cansar. Ela sabia os nomes de todas as bandas, músicas, cantores, músicos, discos, tudo que ele sempre achou mais legal….uma mulher rockeira!!!

Pensou em chegar perto para conversar, mas não dava. Todo mundo chegava nela. Ela só espantava. Teve um dia que ela deu um beijinho rápido no cara só pra tirar ele de cena. "Não gostei do seus lábios não, sua boca parecia até gostosinha mas ao enconstar me deu uma onda ruim, amigo." Ela falou desse jeito pro cara, discretamente. 



Eu soube porque li os lábios dela.




Nunca perguntei nem o nome dela....

(D.Seabra)


PEQUENA DULCINÉIA



"No mesmo mundo onde se criam estórias e contos maravilhosos sobre realidades originadas dos sonhos e da ficção, acabamos nos deparando com nossa realidade, e assim vamos questionando nossa missão em nossa vida. Nosso planeta pode ser do tamanho que quisermos, nosso título, pode sim, ser de um pequeno príncipe, que sonhou em ter seu próprio planeta. Seu próprio pé de Baobá. Um sonho de ser pequeno, mas enorme em relação ao seu mundo. Ou então, sonhar com estórias de monstros e princesas, sendo seguido pela sua própria imagem indesejada, para se ver de verdade, mas voltar a acreditar na armadura, no cavalo branco, na nossa imponência, em busca de nossos príncipes e princesas em apuros. 


Nem oitenta e dois volumes, conseguiram explicar a imensidão do nosso ser, do que é ser. Mas só há uma certeza, somos o que imaginamos, e vamos em frente, por sobre o chão que sonhamos, monstros de nós mesmos, árvores e frutos, de nós mesmos. Tudo é nosso. Somos príncipes e escudeiros. Lutamos contra nós mesmos, ora nos chamando de dragões, ou de servos, ou de simples pragas que comem nosso alimento. Um dia descobriremos onde é que está a tão desejada realidade, a nossa princesa, ou nosso príncipe, quem é nosso escudeiro, ou nosso jardineiro. "

(d.sEABRA)

CINEMA

"O vão que se abre entre nós e a realidade, é causado pela tensão oriunda de estímulos externos de toda sorte, e pela nossa dificuldade de aprender sobre nós mesmos. Nada mais do que a falta de compreensão sobre o que existe entre nós e a nossa própria realidade. Um abismo de promessas e sonhos que não se pode transpor, simplesmente porque na verdade, a única forma de atravessá-lo é se jogar de cabeça lá dentro, na imensidão de nós mesmos. Em queda livre, procurar o entendimento do que não se vê ou não se quer ver, será melhor do que esperar alguém construir uma ponte para atravessar este abismo. Corremos o risco de ficarmos parados, eternamente aguardando pela ajuda de alguma mão misteriosa que nunca irá aparecer, se não tomarmos a iniciativa de aprender qual é a real sensação de se jogar sozinho nessa imensidão. Somos criados para enxergar os abismos e paisagens da natureza, sendo que somente saberemos interpretá-los, se primeiro procurarmos enxergar a nossa turva realidade, o próprio abismo. 

Se jogar sem medo, nesse profundo vazio, que de acordo com a própria estória da vida, nunca chega ao fim. É impossível chegar ao fundo. Ao nos lançarmos para dentro desse "abismo", descobriremos que o que seria o "fundo de nós mesmos", é a tão esperada ponte para chegar ao outro lado, a mola propulsora de nossa evolução interna, consciente e realista e humanista, para então voltarmos a realidade que vemos, e daí então, ao observar a novamente as paisagens externas, reconhecemos que poderemos sonhar e desejar tudo, criando assim, nosso próprio mundo. Somos maiores em nossa própria imensidão do que a imensidão da própria realidade que nos circunda. Enquanto não soltarmos as amarras, e nos jogarmos no profundo posso, saindo do pântano lodoso de nossa costumeira superficialidade, nunca chegaremos à imensidão, e ao verdadeiro conceito da realidade. Sonhar, desejar, imaginar, e seguir, rumo ao infinito de nossa própria ficcão, para criar enfim, nossa verdadeira realidade."

(D.Seabra)